ARTIGO - Dezembro de 2000


OS SETE PECADOS CAPITAIS NA ORGANIZAÇÃO

Robson Santarém
(Vice-Presidente da ADCE-Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas/RJ)

Refletindo sobre certos comportamentos que acontecem dentro das organizações, pensei em analisá-los à luz dos chamados sete pecados capitais da doutrina cristã que se manifestam em nossa vida diariamente. Quando há muitos séculos alguém sintetizou os pecados nestes sete, chamados capitais, porque todos os demais deles se derivam, sabiamente percebeu o seu alcance.

Constatamos hoje que também os "pecados corporativos" e aqueles pessoais que acontecem dentro das organizações estão contidos nestes. Nesta ótica, lembro ainda que o pecado -qualquer que seja- prejudica não só quem o comete, mas também o outro, a pessoa com quem o "pecador" se relaciona, vejamos:

1) ORGULHO - para exemplificar esse pecado, identifique rapidamente quantos "saltos altos", "narizes empinados", e outros "máximos" que circulam dentro da empresa e perceberá também que frequentemente dizem NÃO à cooperação, são inflexíveis e donos da verdade, não agregando absolutamente nada à equipe.

Deste modo, não conseguem interagir e criar o espírito de equipe capaz de empreender, de gerar resultados em ambiente de harmonia. Ao contrário, ser humilde é reconhecer as suas competências a as dos outros, colocá-las a serviço do bem comum, somando esforços, estabelecendo parcerias para atingir objetivos.

2) AVAREZA - o avaro quer tudo para si, e sempre mais, não compartilha e acaba não dando conta do que tem. Algumas expressões da avareza podem ser a demasiada centralização do poder às vezes associada ao autoritarismo; o profissional que não compartilha as informações e pensa ser insubstituível e o estímulo a ganhar a qualquer preço em um processo de ambiçao desmedida.

Não é esse tipo de ambição que as empresas precisam, ao contrário, busca-se profissionais determinados, tenazes e entusiasmados/automotivados para alcaçar objetivos e progredir. Do mesmo modo, precisa-se de profissionais transparentes, que compartilhem informações e poder, para que em equipe possam vencer juntos.

3) LUXÚRIA - talvez aqui seja mais fácil apontar e, ao mesmo tempo, mais delicado. O assédio sexual como forma de constrangimento do outro, em todas as suas nuances: para obtenção de favores, promoções, informações, etc...não sustenta absolutamente nada à vida e à carreira das pessoas.

É delicado porque não podemos também cair no extremo de que qualquer "paquera" venha a ser considerada como assédio
.
4) IRA - ainda é comum, lamentavelmente, encontrarmos nas empresas, chefes autoritários tendo "acessos" de raiva, explodindo e insultando subordinados (como as secretárias sofrem!). Manifesta-se também entre colegas de trabalho através do mau humor crônico (as pessoas que sofrem desse mal são capazes de danificar todo o ambiente de trabalho); da agressividade que às vezes permeia as relações; em negar-se a contribuir com o outro, na impaciência, no negativismo contumaz e no tratamento inadequado dispensado às pessoas/clientes.

Obviamente, não há mais espaço no mercado para profissional que assim age. As relações interpessoais devem ser baseadas no respeito e os líderes devem ser exemplares no tratamento aos seus colaboradores, através de uma gestão participativa, motivando-os a se comprometerem com os resultados da organização. Em um ambiente onde há ira, não há motivação, não há resultados satisfatórios.

5) GULA - associo a gula às situações de injustiça e iniquidade que acontecem nas corporações, quando alguns se "enchem" de benefícios, indiferentes à contribuição efetiva da grande maioria dos colaboradores. Penso ainda na responsabilidade social que todo cidadão e toda empresa deve ter para ser chamada de empresa cidadã, voltando-se para a comunidade onde está inserida, para o meio ambiente e, obviamente, para os seus funcionários e familiares.

A indiferença, a falta de ética nos negócios e comportamentos e atitudes daí derivados, não deixam de ser uma forma de gula. Insistimos na necessidade de partilha de informações, na gestão participativa, na participação nos lucros/resultados, na gestão social. Com certeza absoluta um dos grandes diferenciais para as pessoas e organizações é a capacidade de doar-se, assumindo o seu papel de cidadão socialmente responsável, sendo solidário.

6) INVEJA - outro grande mal que está presente nas organizações. Não raro identificamos aquele que despreza/deprecia o trabalho do colega; aquele que "rouba idéias" e se apresenta como o autor criativo e comprometido com a empresa e ainda aquele que costuma "puxar tapetes"... A inveja gera um ambiente de competição predatória, fazendo acontecer traições, intrigas, desagregações, etc... 

A relação humana deve ser fundamentada na confiança, no respeito mútuo e na valorização das diferentes competências e potencialidades, assim se constrói equipes autênticas.

7) PREGUIÇA - se ainda houver preguiçosos dentro da empresa no ritmo alucinante que se trabalha atualmente e no mercado competitivo em que vivemos, a empresa que se cuide. Seus dias podem estar contados... Deixar para depois, transferir responsabilidades, buscar culpados para os próprios erros e omitir-se (ah! Isso não é comigo; o telefone do colega toca e não atende para não assumir mais um trabalho, etc) pode desencadear uma série de transtornos internos até o "adeus" do cliente cansado de esperar atendimento. 

Não há tempo a perder. A hora é agora, o cliente não pode esperar. Precisa-se de profissionais proativos, dinâmicos, que tenham iniciativa e sequer permitem que o problema apareça.

Peyon

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