ATIVOS INTANGÍVEIS
Paulo Cézar Consentino
dos Santos
(Conselheiro do Conselho Reg. de Contabilidade de Minas Gerais)
Cada vez mais, a medida que o comércio
eletrônico e os recursos da chamada Era virtual forem se disseminando, e o serão,
sempre, com uma velocidade maior do que possamos imaginar, os chamados Ativos Intangíveis
serão motivo de mais atenção por parte de tantos quantos estejam envolvidos no mundo do
business.
Até há alguns poucos anos, falar em Ativos Intangíveis significava falar em Marcas e
Patentes, Ponto de Comércio, Fundo de Comércio, Valor de Mercado, Goodwill, Pesquisa e
Desenvolvimento e outros tantos, que em função dos desdobramento e utilização
estratosférica que se tem dado a esta fabulosa ferramenta chamada informática, itens
como os citados poderiam ser qualificados como tangíveis.
Isto porque, como os recursos tecnológicos estarão, doravante, em evidência cada vez
maior, não só nos escritórios, mas de uma maneira geral em toda a organização,
chegar-se-á a tal ponto que grande parte ou talvez até a maior parte dos Ativos, serão,
indiscutivelmente, Intangíveis.
Em alguns tipos de empresas, naturalmente, mais do que em outras, esta evidênciação
ficará ainda mais forte.
MIGRANDO - Mesmo as empresa industriais e/ou comercias, que em função da natureza das
suas atividades, sejam obrigadas a manter grandes ativos físicos, migrarão para os
intangíveis, a medida que estes passarem a atender, da melhor forma, suas necessidades.
Nas atividades onde o predomínio seja o esforço intelectual e não o esforço físico,
haverá de se criar forma de valorar os intangíveis, sob pena de quase a empresa não ter
como mostrar, em seu Balanço, seus ativos.
Os Recursos Humanos e os Recursos Virtuais, bem como sua capacidade de interação com as
necessidades dos consumidores, serão, indubitavelmente, os grandes ativos. O Capital
Intelectual, os direitos autorais, os direitos de uso, as expectativas de retorno, a
credibilidade dos sócios, as concessões públicas e/ou privadas, as potencialidades,
(Reservas Ocultas) do negócio, os programas e os contra-programas de computador, as
exclusividades, o franchising, a boa reputação dos dirigentes, a confiança do mercado,
embora continuem sendo de difícil mensuração, serão, sem nenhuma dúvida, os
parâmetros que irão determinar, aumentos ou reduções, ou aumentos e quedas, num
patamar superior, nos índices NASDAQ da vida.
SEGURO DA INTELIGÊNCIA - As organizações deverão se resguardar de todas as formas
possíveis e imaginárias da pirataria e quebra de segredas industriais, cadastrando e
mantendo contratos de produção, desenvolvimento, fidelidade e outros que com certeza
serão criados pelo mundo jurídico, no sentido de impedir que seus ativos, composto pela
inteligência, experiência e conhecimento do mercado de seus colaboradores, seja passada,
de qualquer forma, a seus concorrentes. Junte-se a isto, o fato de que, os intangíveis,
serão mais ou menos valorizados, em função de suas partes estarem unidas ou separadas.
As cabeças pensantes privilegiadas, deverão estar resguardadas e seguradas, pelas
empresas, em mirabolantes valores, em função de sua estimativa de produção futura.
Deverá haver grandes organizações, que faturando milhões, tendo força e prestígio,
não necessitarão de quase nenhum espaço físico ou Ativo Fixo, limitando sua
existência material a uns poucos metros quadrados e a meia dúzia de pequenos (no
tamanho), porém, extraordinários computadores, e não poderão ser chamadas de empresas
de fachada.
Os intangíveis predominarão da mesma forma, que os chamados bens de raiz.
ESCRITURAÇÃO - A escrituração contábil, de certa forma, deverá repensar seus
lançamentos, visto que na maioria das vezes, documentos, cifras, informações, dados e
relatórios nada mais serão do que sinais de satélite. As formas de amortização
também deverão ser revistas, porquanto o problema maior será sempre, e cada vez mais, a
reavaliação.
(Fonte: Jornal do CRC-MG, número 76)
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