RELAÇÃO ESCRITÓRIO vs. CLIENTE
Carlos De La Roque
(Presidente do Conselho
Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro)
Uma das maiores reclamações dos
escritórios de contabilidade diz respeito a um
eventual relaxamento dos clientes quanto a
quitação dos serviços a eles prestados. A
maior parte dos escritórios cobra 14 salários,
sendo os doze mensais regulamentares e mais o
13.o em dezembro e o 14.o quando da elaboração
do Balanço e declaração de IRPJ. Quanto aos 13
salários não há porque se questionar esta
cobrança. Mas, e o 14.o cobrado a título de
Balanço e declaração? Quantos são aqueles que
realmente elaboram um Balanço em função da
contabilidade comercial? Quantos são aqueles que
fazem Livro Caixa, sob o pretexto que a
legislação tributária exime determinadas
empresas da apresentação de contabilidade? E
como fica o código comercial? E o direito da
sucessão? E a apuração de haveres? E como fica
na falência? E o balanço a ser apresentado aos
bancos?
Livro Caixa não é contabilidade e nunca vi
qualquer profissional, por mais brilhante que
fosse, preparar um Balanço a partir do Livro
Caixa. Ou seja, diversos colegas nossos cobram
por algo que não produzem e aí colocam toda a
categoria em xeque, nada apresentam aos seus
clientes porque não produzem contabilidade, não
orientam seus clientes quanto as vantagens
fiscais de uma contabilidade e nem tampouco
quanto aos riscos de não possuírem
escrituração regular. Assim, é fácil cobrar
barato e o não receber pode não ser tão danoso
já que os seus custos são extremamente
minimizados. E ainda não falamos dos adicionais
mensais que são cobrados a títulos dos mais
diversos não proporcionando aos clientes um
valor mensal fixo. Cada mês o valor é
diferente. Não estaria na hora de mudarmos esta
relação?
A relação entre nós proprietários de
escritório de contabilidade e nossos clientes
deveria obedecer ao princípio "endurecer
sem perder a ternura". Ter um contrato de
prestação de serviços com direitos e
obrigações de ambas as partes é fator mais do
que imprescindível. Nesta nossa atividade, o
preço certo e previamente contratado não faz
mal a ninguém. O que é combinado não é caro
nem barato.
A partir deste ponto devemos estabelecer uma
relação profissional - dar e cobrar. Vocês já
perceberam que nós mandamos aos nossos clientes
quase que exclusivamente obrigações que eles
devem cumprir e que, na maioria das vezes, ou
melhor, podemos até dizer que na totalidade das
vezes, significa desembolso de dinheiro?
E nós ainda mandamos nossa conta, ou seja,
cobramos para eles fazerem despesas. Com o
contrato de prestação de serviços e boletas
bancárias você com certeza vai diminuir e muito
o desgaste das cobranças. Não deixar acumular
meses sem receber. Parar o seu trabalho em
função de cláusula contratual com todas
notificações que se fizerem necessárias. Nosso
escritório não permite atraso de mais de três
meses. Emitimos boleta bancária para todos os
clientes com a data de vencimentos previamente
acertadas com o cliente e lastreada em contrato
de prestação de serviços. A cada atraso mensal
enviamos correspondência com protocolo -
protocolo nunca é demais em qualquer
circunstância - quando completado o período de
três meses de atraso enviamos nova
correspondência protocolada; informamos que
nosso contrato está rescindido e que os
documentos de sua empresa estão à disposição
para retirada de meu escritório. Encaminho a
cobrança atrasada para o escritório de protesto
e, inclusive este ano, cheguei a pedir a
falência de um cliente. O trabalho somente é
valorizado por aquele que produz quando
devidamente recompensado por aquele que dele se
utiliza. A relação entre o profissional de
contabilidade e seu cliente tem que ser
verdadeira e correta. Quando o escritório não
se valoriza não é visto com seriedade pelo seu
cliente. Vocês conhecem aquele ditado que diz
que quando emprestamos um dinheiro a um amigo
corremos um sério risco de perdemos o dinheiro e
o amigo. É mais ou menos o que acontece entre os
escritórios de contabilidade e seus clientes.
Temos que ser mais profissionais.
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