CAPITAL INTELECTUAL
Robinson Passos
de Castro e Silva
(Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Ceará)
Onde as empresas estão investindo? Será em imóveis, novas instalações, veículos para
transporte dos produtos, máquinas e equipamentos de ponta, estoques..., onde elas aplicam
o seu capital?
A resposta é inusitada, elas compram cérebros. É isto mesmo, elas estão interessadas
em novas idéias, em soluções, em críticas inteligentes, em rastreadores de
oportunidades.
Hoje o poder deriva do detentor do capital intelectual, ou seja, quem tem em seu time a
maior quantidade de craques geniais vai vencer o jogo dos negócios. Os bens de capital e
de produção são facilmente adquiridos via locação, arrendamento, ou coisa que o
valha.
Não é racional imobilizar o capital disponível, por dois motivos, a tecnologia vem
tornando obsoleto tudo com muita rapidez, e o que leva ao sucesso, em tempos de crise é
investir em inteligência, idéias e informação.
Logo, ao ver um panorama desta natureza, parece que estamos no paraíso, pois todas essas
qualidades são encontradas no profissional de contabilidade. Na verdade, o que temos é
potencial, que pode vir a se tornar talento. Dedicar boa parte de nosso tempo em pesquisa,
leitura, treinamento, seminários, encontros e debates parece ser o melhor investimento,
para quem quer possuir capital intelectual.
Ninguém é insubstituível, mas a cada nova informação que imputamos, mais valiosa é a
nossa presença. Certa vez, lendo um artigo, também percebi que ter iniciativa é uma
virtude, mas ter acabativa é qualidade de poucos. Tomar a iniciativa de um projeto não
credencia ninguém, mas levá-lo até o fim é a marca dos arrojados, dos determinados.
Este também é um novo conceito.
O que as empresas não precisam é de empregados e chefes, elas procuram empreendedores e
líderes. A figura do empregado dá lugar ao empreendedor que vive em busca de novos
desafios, e o chefe é substituído pelo líder que não possui subordinados e sim
seguidores.
Será que estamos preparados para os novos tempos? O que podemos fazer para mudar o nosso
comportamento e a forma de ver o mundo? Vamos nos acomodar e passar por vítimas do
processo?
Busquemos a qualquer custo participar destas transformações, não como espectadores e
sim como agentes que contribuirão para a formação do capital intelectual da Nação.
Artigos
anteriores:
Dez/99 - Relação Escritório Vs. Cliente (Carlos de
La Roque, Pres. do CRC/RJ)
Jan/00 - Por Uma Administração Moderna, Eficaz E Voltada Para
O Público (Wagner Siqueira, Pres. do CRA/RJ)
Fev/00 - Contabilidade E Pequenos Negócios Optantes Do Simples
(Luiz Francisco Peyon, Contador)
Mar/00 - Mudanças e Educação no Ambiente de Trabalho
(Luiz Avelino, Diretor da Avelino Andrade - Desenvolvimento & Educação Empresarial -
Recife)
Abr/00 - Ciências Contábeis e Democracia (Luiz
Francisco Peyon, Contador)
Mai/00 - O Cavalo de Tróia das Privatizações (Wagner
Siqueira, Pres. do CRA/RJ) |