ARTIGO - Junho de 2000


CAPITAL INTELECTUAL

Robinson Passos de Castro e Silva
(Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Ceará)


Onde as empresas estão investindo? Será em imóveis, novas instalações, veículos para transporte dos produtos, máquinas e equipamentos de ponta, estoques..., onde elas aplicam o seu capital?

A resposta é inusitada, elas compram cérebros. É isto mesmo, elas estão interessadas em novas idéias, em soluções, em críticas inteligentes, em rastreadores de oportunidades.

Hoje o poder deriva do detentor do capital intelectual, ou seja, quem tem em seu time a maior quantidade de craques geniais vai vencer o jogo dos negócios. Os bens de capital e de produção são facilmente adquiridos via locação, arrendamento, ou coisa que o valha.

Não é racional imobilizar o capital disponível, por dois motivos, a tecnologia vem tornando obsoleto tudo com muita rapidez, e o que leva ao sucesso, em tempos de crise é investir em inteligência, idéias e informação.

Logo, ao ver um panorama desta natureza, parece que estamos no paraíso, pois todas essas qualidades são encontradas no profissional de contabilidade. Na verdade, o que temos é potencial, que pode vir a se tornar talento. Dedicar boa parte de nosso tempo em pesquisa, leitura, treinamento, seminários, encontros e debates parece ser o melhor investimento, para quem quer possuir capital intelectual.

Ninguém é insubstituível, mas a cada nova informação que imputamos, mais valiosa é a nossa presença. Certa vez, lendo um artigo, também percebi que ter iniciativa é uma virtude, mas ter acabativa é qualidade de poucos. Tomar a iniciativa de um projeto não credencia ninguém, mas levá-lo até o fim é a marca dos arrojados, dos determinados. Este também é um novo conceito.

O que as empresas não precisam é de empregados e chefes, elas procuram empreendedores e líderes. A figura do empregado dá lugar ao empreendedor que vive em busca de novos desafios, e o chefe é substituído pelo líder que não possui subordinados e sim seguidores.

Será que estamos preparados para os novos tempos? O que podemos fazer para mudar o nosso comportamento e a forma de ver o mundo? Vamos nos acomodar e passar por vítimas do processo?

Busquemos a qualquer custo participar destas transformações, não como espectadores e sim como agentes que contribuirão para a formação do capital intelectual da Nação.


Artigos anteriores:

Dez/99 - Relação Escritório Vs. Cliente (Carlos de La Roque, Pres. do CRC/RJ)

Jan/00 - Por Uma Administração Moderna, Eficaz E Voltada Para O Público (Wagner Siqueira, Pres. do CRA/RJ)

Fev/00 - Contabilidade E Pequenos Negócios Optantes Do Simples (Luiz Francisco Peyon, Contador)

Mar/00 - Mudanças e Educação no Ambiente de Trabalho (Luiz Avelino, Diretor da Avelino Andrade - Desenvolvimento & Educação Empresarial - Recife)

Abr/00 - Ciências Contábeis e Democracia (Luiz Francisco Peyon, Contador)

Mai/00 - O Cavalo de Tróia das Privatizações (Wagner Siqueira, Pres. do CRA/RJ)

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