ARTIGO - Março de 2000


MUDANÇAS E EDUCAÇÃO NO AMBIENTE DE TRABALHO

Luiz Avelino
(Diretor da Avelino Andrade - Desenvolvimento & Educação Empresarial - Recife)

Preocupadas com a guerra de seus produtos junto ao público externo, as empresas até poucos anos atrás não davam a devida atenção àquele que constitui seu principal exército decisivo: o público interno.

Os comandantes com seus méritos inegáveis de pioneirismo, luta, obstinação e dedicação na criação e edificação de suas empresas, acabavam concentrando poder por ciúme e medo. Às vezes estas razões eram justificadas pelas experiências negativas ao longo da vida em delegar e não ver suas lutas serem levadas adiante com o mesmo espírito empreendedor, com a mesma abnegação e cuidado.

Mas as experiências negativas não podem se transformar em regras eternas. Os incompetentes acabavam sendo excluídos e o problema se voltava contra os competentes também.

Com delegação, mas destituídos de autoridade, os gerentes desestimulados a dar sua contribuição e sua criatividade, eram como exércitos lançados em guerras sem saber exatamente quais os objetivos, sem ter participado dos planos e estratégias.

E um exército desorientado e desentrosado não ganha guerras por melhor que sejam as armas, os comandantes e soldados.

Sob vários nomes e sob diversas correntes (Intrapreneuring, Endomarketing, Administração Participativa, Comitê de Desenvolvimento Profissional etc) as empresas estão cada vez mais descobrindo dentro de casa as verdadeiras armas para os desafios crescentes de atuação no mercado.

A conjugação do espírito criativo e participativo de todos os departamentos de uma empresa em torno de objetivos e metas claramente definidas, alicerçada num clima de trabalho saudável e motivador, estimula cada um a dar o melhor de si mesmo. E das contribuições individuais surgem melhores planos, esforços mais coordenados, maior integração, maior satisfação pessoal, melhores resultados.

Esse sentimento de co-responsabilidade só é possível quando se percebe que o trabalhador é mais do que mão de obra. Ele é gente! Tem cabeça (pensa) e coração (sente). E o que era uma relação entre "coisas" - capital e trabalho, passa a ser um relacionamento entre "pessoas" - gerentes e colaboradores.

Num ambiente assim os "desentendimentos" e conflitos tendem a diminuir e as soluções são encontradas no dia-a-dia e não "conquistadas" uma vez por ano nas negociações coletivas.

As empresas que estão vivas no ano 2.000 são aquelas que começaram a preparar-se antes. E mudanças são a única constante que temos pela frente. Preparar indivíduos isoladamente não muda a organização nem prepara o futuro. Ponha-os em times de trabalho! As partes de um avião não voam por si sós, mas juntas e integradas.


Artigos anteriores:

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