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ENSINO A
DISTÂNCIA OU ENSINO SEM DISTÂNCIA?
Luiz Afonso Rocha da Silva
(Eng. Mecânico, Especialista em Novas Tecnologias Aplicadas à Educação -
RJ)
Há poucos meses participei de um congresso, em São Paulo, sobre educação a distância. Numa das noites fui jantar, sozinho, em um agradável restaurante de comida típica alemã. Ao final do jantar, enquanto aguardava a conta, tive uma grande sensação de solidão. Ali estava eu, num local cheio de pessoas, das quais, no entanto, eu estava totalmente distante, infinitamente distante, por não conhecê-las.
Passei, então, um bom tempo buscando encontrar uma conexão entre esse sentimento e as modalidades de ensino a distância e presencial.
Muitas vezes critica-se o ensino a distância com o argumento de que falta o "olho no olho". Mas será que existe "olho no olho" em um cursinho pré-vestibular com turmas de 100 alunos ou mais? Existe "olho no olho" em um curso para executivos, dado em forma de conferência de experts para 200 ou mais pessoas? O que seria dos cursinhos se não houvesse a "hora da merenda"? O que seria das conferências, congressos e seminários se não houvesse os coffee breaks?
Se fossemos "condenados" a fazer algum curso em que uma das regras do jogo fosse a proibição de comunicação entre os alunos antes, durante e após o curso, com certeza a maioria de nós desistiria antes da metade.
É na hora em que trocamos idéias com os demais, em que discutimos pontos que não ficaram claros, quando tentamos ajudar um colega a compreender algum tópico, no momento em que contamos e inventamos piadas sobre os assuntos abordados, na hora em que trocamos nossas experiências, é nessas horas que efetivamente estamos aprendendo.
Portanto, a questão da distância, para efeito de aprendizagem, passa a ser relativa. O que caracteriza a distância passa a ser não a localização das pessoas mas sim a possibilidade, e a efetiva utilização, da comunicação entre elas.
Os recursos modernos de comunicação, como os propiciados pela Internet, permitem que se possa trocar idéias e sentimentos com pessoas das mais distantes localidades, quer instantaneamente, como nos chats e assemelhados, quer quando possível ou conveniente para ambas as partes, como no uso do e-mail e fóruns.
Lembro-me de uma saudável e altamente produtiva discussão que tive, durante uma semana, com um professor da Universidade de Coimbra, utilizando o e-mail, o que teria sido inviável utilizando outros processos.
Atualmente temos necessidade de nos atualizarmos continuamente, de adquirir sempre mais conhecimentos para nos manter produtivos e competitivos. Por outro lado temos menos tempo para isso. Há que se considerar, portanto, a possibilidade de fazer algum curso pela Internet.
Mas, ao se interessar por algum desses cursos, descubra, antes de mais nada, como vai ser a comunicação entre os alunos e entre os alunos e o professor, embora sendo fundamental que o curso apresente bem tratados conteúdos, quer pelo aspecto pedagógico quer na sua estética e funcionalidade.
Aliás, se não houver professor, caia fora! Será melhor comprar um curso em
vídeo ou um bom livro sobre o assunto...
Pois, com certeza, a sua motivação em continuar o curso, sua compreensão do assunto tratado, o seu aprendizado enfim, vão depender fundamentalmente do nível de interatividade apresentado, do quanto você sinta que não está só, do quanto você perceba que não há distância entre você, seus colegas e os seus professores e, é claro, do quanto você participe.
Afinal, você vai querer um ensino a distância ou um ensino sem distância?
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