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ARTIGO - Setembro de 2002 |
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Alex
Campos
(Jornalista e editor de economia do jornal O Dia/RJ) O
jornalismo sem repórter é uma praga. Quase toda a imprensa aceitou a lábia
do Governo de que "houve erro do Congresso" na lei que corrigiu a tabela
do IR, isentando salários até R$ 1.058. De novo, a versão atropelou o
fato. A versão: o líder Arnaldo Madeira insinuou que o Executivo vai salvar o bolso dos contribuintes de mais uma barbeiragem legislativa - deputados e senadores têm pecados, sim, mas não podem arder no inferno por causa desse. O fato: tal erro não passou de manobra do Palácio. A idéia de chegar a outubro com um candidato oficial garantido no segundo turno e arrancar da oposição a manutenção da alíquota extraordinária de 27,5% (uma espécie de CPMF do imposto na fonte). À época da votação pela correção da tabela, ficou que a alíquota e a isenção só teriam validade mesmo até dezembro - bem como todo e qualquer novo texto sobre a tabela do IR. Não se esperava, porém, que, a dois meses das eleições, o candidato oficial estivesse patinando nas pesquisas, agarrado ao quarto colocado. Daí, em mais um lance de retórica, marketing e ilusionismo, um aliado do concorrente chapa-branca trombeteia que, agora, o Governo vai socorrer contribuintes do amadorismo parlamentar - uma estranha preocupação com quem, nos últimos sete anos, foi castigado pela tabela. Na verdade o que está em jogo é a prorrogação dos 27,5%. O resto é o bode na sala. A dica: não se pode acreditar em tudo o que diz um líder que desconhece que o princípio da anualidade (ou anterioridade) não se aplica à "redução" de impostos, com benefícios aos contribuintes. (Artigo publicado em 21.8.2002, no caderno Economia) |

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